quarta-feira, 20 de julho de 2011

CURRÍCULO EM PRETO E BRANCO: INDICAÇÕES PARA UM CURRÍCULO INCLUSIVO


           Este estudo pontua questões acerca do currículo inclusivo no contexto da contemporaneidade, a partir da análise das "Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana", oriundas da Lei 10.693/03. 
             Discute sob que condições, descritas no próprio documento, a Educação se apropria dessas diretrizes. E ainda, sob que condições a criação de diretrizes curriculares específicas para uma determinada porção da população contribuem para diminuir possíveis tensões étnico-raciais, e garantem, de fato, uma educação inclusiva. A partir da análise do discurso, este estudo propõe elementos para uma reflexão mais abrangente sobre as indicações apresentadas nestas diretrizes. Na verdade, pontuam-se elementos que permitam entender a "escola inclusiva" (isto é, caso tenha essa identidade) como um espaço acolhedor, aberto, preparado e disposto a atender as "diferenças" de cada um, integrando TODOS sem distinção, num processo de melhoria constante da qualidade do ensino e da aprendizagem, ampliando o potencial de educabilidade dos alunos.
                Nas últimas décadas, em especial, tem-se observado no discurso pedagógico uma tendência à denúncia e à crítica da escola, apontada como uma das responsáveis pela exclusão social. A prática de exclusão social é apontada no documento “Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana, oriunda da Lei 10.639/03. Este documento afirma que a sociedade e a educação precisam promover políticas e reparação a fim de ”ressarcir os descendentes de africanos negros, dos danos psicológicos, materiais, sociais, políticos e educacionais sofridos sob o regime escravista...”, e promover...”justiça e iguais direitos sócias, civis, culturais e econômicos”.
                    Clama-se por uma escola dita “igualitária” que garanta atendimento igual para todos. (Vale lembrar que igual não significa “o mesmo”. Quando igualdade é entendida como sinônimo de “o mesmo”, instaura-se o preconceito e a discriminação.) Curiosamente, em meio a esses discurso, emerge por parte da escola (e dos educadores) a opção pelos “pobres”. (“Pobres” aqui entendidos como as minorias étnicas e sociais).
Essa defesa das minorias, pela escola, (re) coloca como pano de fundo a questão da estruturação do currículo escolar.  Teria este que tomar partido ou apenas fazer cumprir a prerrogativa de ser (a escola) lugar de exercício do “direito de todos?” Definir ou caracterizar esses “todos”, não seria tendencioso?
                    A LDB, antes da Lei 10.639/03, em seu 26º Artigo já garantia que “ O ensino de História levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, especialmente das matizes indígenas, africana e européia” (o grifo é nosso).  Pergunta-se, então, por que a criação de uma lei para garantir o que já estava garantido?
                       O documento em pauta ainda afirma que “tais políticas têm, também, como meta o direito dos negros, assim como de todos os cidadãos brasileiros, cursarem cada um dos níveis do ensino, em escolas devidamente instaladas e equipadas...”. Não estariam os negros incluídos no “todos os demais cidadãos brasileiros?” A igualdade de acesso à educação é garantida pela Constituição Federal a TODOS os indivíduos (a palavra “todos” por si só inclui a idéia de coletividade). A forma como o texto está estruturado evidencia um esforço para demonstrar que as alterações no currículo de história se fazem necessárias para suprir uma suposta “não inclusão” dos negros na educação e sociedade.
                  É interessante pontuar que o documento propõe que se assegurem os “direitos dos negros se reconhecerem na cultura nacional, expressarem sua visão de mundo própria, manifestarem com autonomia, individual e coletiva, seus pensamentos”. Esta postura, na perspectiva do discurso, singulariza uma parcela da população atribuindo a ela um olhar diferente dos demais. A partir do conteúdo desse discurso parece legítimo questionar se os “ditos” negros são uma parcela da população à parte ou são constituintes, no sentido antropológico e social, desta mesma população. Segregar o que já é constituinte seria, realmente, na perspectiva das políticas curriculares, uma “prática inclusiva?”.
                 O documento atribui à escola na produção da “inclusão dos negros” no sistema educacional, algumas responsabilidades, a saber: “... deverá posicionar-se politicamente... contra toda e qualquer forma de discriminação” (onde ficaria o posicionar-se pedagogicamente?), “acabar com o modo falso e reduzido de tratar a contribuição dos africanos escravizados e de seus descendentes para a construção da nação brasileira (...), fiscalizar para que, no seu interior, os alunos negros deixem de sofrer os primeiros e continuados atos de racismo de que são vítimas” entre outras. A escola é vista como principal, senão único, lócus de eliminação de uma suposta desigualdade educacional entre negros e “não negros”.
                 Sobre a política de ressarcimento e de inclusão enfatiza-se “Sem a intervenção do Estado, os postos à margem, entre eles os afro-descendentes, dificilmente, e as estatísticas mostram sem deixar dúvida, romperão o sistema meritrocrático que agrava desigualdades e gera injustiça, ao reger-se por critérios de exclusão, fundados em preconceitos e manutenção de privilégios para os sempre privilegiados”.  Esta afirmativa possibilita refletir: a capacidade cognitiva humana varia de acordo com a cor da pele e com a postura ideológica? Não se estaria desvalorizando a capacidade cognitiva dos afros-descendentes, ao afirmar que precisam de condições e diretrizes especiais que norteiem as práticas educativas a eles dirigidas? Pode-se estabelecer uma relação linear entre “minorias” e desigualdades sociais?
                   As questões relacionadas à proposição de estruturas curriculares que tenham o respeito à individualidade como princípio implicam ações administrativo-pedagógicas que parecem estar para além das alterações na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. 



Tyara Carvalho de Oliveira, Leandro Alves dos Santos,  Amélia Escotto do Amaral Ribeiro


http://www.psicopedagogia.com.br/opiniao/opiniao.asp?entrID=679

domingo, 26 de junho de 2011

SÍNDROME DE BURNOUT


              A síndrome de Burnout (do inglês to burn out, queimar por completo), também chamada de síndrome do esgotamento profissional, foi assim denominada pelo psicanalista nova-iorquino, Freudenberger, após constatá-la em si mesmo, no início dos anos 1970.
              A dedicação exagerada à atividade profissional é uma característica marcante de Burnout, mas não a única. O desejo de ser o melhor e sempre demonstrar alto grau de desempenho é outra fase importante da síndrome: o portador de Burnout mede a auto-estima pela capacidade de realização e sucesso profissional. O que tem início com satisfação e prazer, termina quando esse desempenho não é reconhecido. Nesse estágio, necessidade de se afirmar, o desejo de realização profissional se transforma em obstinação e compulsão

ESTÁGIOS

São doze os estágios de BURNOUT

·        Necessidade de se afirmar;
·        Dedicação intensificada - com predominância da necessidade de fazer tudo sozinho;
·        Descaso com as necessidades pessoais - comer, dormir, sair com os amigos começam a perder o sentido;
·        Recalque de conflitos - o portador percebe que algo não vai bem, mas não enfrenta o problema. É quando ocorrem as manifestações físicas;
·        Reinterpretação dos valores - isolamento, fuga dos conflitos. O que antes tinha valor sofre desvalorização: lazer, casa, amigos, e a única medida da auto-estima é o trabalho;
·        Negação de problemas - nessa fase os outros são completamente desvalorizados e tidos como incapazes. Os contatos sociais são repelidos, cinismo e agressão são os sinais mais evidentes;
·        Recolhimento;
·        Mudanças evidentes de comportamento;
·        Despersonalização;
·        Vazio interior;
·        Depressão - marcas de indiferença, desesperança, exaustão. A vida perde o sentido;
·        E, finalmente, a síndrome do esgotamento profissional propriamente dita, que corresponde ao colapso físico e mental. Esse estágio é considerado de emergência e a ajuda médica e psicológica uma urgência.

SINTOMAS

              Os sintomas são variados: fortes dores de cabeça, tonturas, tremores, muita falta de ar, oscilações de humor, distúrbios do sono, dificuldade de concentração, problemas digestivos. Segundo Dr. Jürgen Staedt, diretor da clínica de psiquiatria e psicoterapia do complexo hospitalar Vivantes, em Berlim, parte dos pacientes que o procuram com depressão são diagnosticados com a síndrome do esgotamento profissional.
              O professor de psicologia do comportamento Manfred Schedlowski, do Instituto Superior de Tecnologia de Zurique (ETH), registra o crescimento de ocorrência de "Burnout" em ambientes profissionais, apesar da dificuldade de diferenciar a síndrome de outros males, pois ela se manifesta de forma muito variada: "Uma pessoa apresenta dores estomacais crônicas, outra reage com sinais depressivos; a terceira desenvolve um transtorno de ansiedade de forma explícita", e acrescenta que já foram descritos mais de 130 sintomas do esgotamento profissional.
              Burnout é geralmente desenvolvida como resultado de um período de esforço excessivo no trabalho com intervalos muito pequenos para recuperação. Pesquisadores parecem discordar sobre a natureza desta síndrome. Enquanto diversos estudiosos defendem que burnout refere-se exclusivamente a uma síndrome relacionada à exaustão e ausência de personalização no trabalho, outros a percebem como um caso especial da depressão clínica mais geral ou apenas uma forma de fadiga extrema (portanto omitindo o componente de despersonalização).
              Trabalhadores da área de saúde são freqüentemente propensos ao burnout. Cordes e Doherty (1993), em seu estudo sobre esses profissionais, encontraram que aqueles que têm freqüentes interações intensas ou emocionalmente carregadas com outros estão mais suscetíveis.
              Os estudantes são também propensos ao burnout nos anos finais da escolarização básica (ensino médio) e no ensino superior; curiosamente, este não é um tipo de burnout relacionado com o trabalho, mas com o estudo intenso continuado com privação do lazer, de atividades lúdicas, ou de outro equivalente de fruição hedônica. Talvez isto seja melhor compreendido como uma forma de depressão.
              Os trabalhos com altos níveis de stress ou consumição podem ser mais propensos a causar burnout do que trabalhos em níveis normais destress ou esforço. Taxistas, bancários, controladores de tráfego aéreo, engenheiros, músicos, professores e artistas parecem ter mais tendência ao burnout do que outros profissionais.
              Os médicos parecem ter a proporção mais elevada de casos de burnout (de acordo com um estudo recente no Psychological Reports, nada menos que 40% dos médicos apresentavam altos níveis de burnout).
              A chamada Síndrome de Burnout é definida por alguns autores como uma das conseqüências mais marcantes do estresse ou desgaste profissional, e se caracteriza por exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, O termo Burnout é uma composição de burn=queima e out=exterior, sugerindo assim que a pessoa com depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos (até como defesa emocional). Esse tipo de estresse consome-se física e emocionalmente, passando a apresentar um comportamento agressivo e irritadiço.
              Essa síndrome se refere a um tipo de estresse ocupacional e institucional com predileção para profissionais que mantêm uma relação constante e direta com outras pessoas, principalmente quando esta atividade é considerada de ajuda (médicos, enfermeiros, professores).
              Outros autores, entretanto, julgam a Síndrome de Burnout algo diferente do estresse genérico. De modo geral, esse quadro é considerado de apatia extrema e desinteresse, não como sinônimo de algum tipo de estresse, mas como uma de suas conseqüências bastante sérias.
              De fato, esta síndrome foi observada, originalmente, em profissões predominantemente relacionadas a um contacto interpessoal mais exigente, tais como médicos, psicólogos, carcereiros, assistentes sociais, comerciários, professores, atendentes públicos, enfermeiros, funcionários de departamento de pessoal, telemarketing e bombeiros. Hoje, entretanto, as observações já se estendem a todos profissionais que interagem de forma ativa com pessoas, que cuidam ou solucionam problemas de outras pessoas, que obedecem a técnicas e métodos mais exigentes, fazendo parte de organizações de trabalho submetidas à avaliações.
              Definida como uma reação à tensão emocional crônica gerada a partir do contato direto, excessivo e desgastante ou estressante com o trabalho, essa doença faz com que a pessoa perca a maior parte do interesse em sua relação com o trabalho, de forma que as coisas deixam de ter importância e qualquer esforço pessoal passa a parecer inútil.
              Entre os fatores aparentemente associados ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout está a pouca autonomia no desempenho profissional, problemas de relacionamento com as chefias, problemas de relacionamento com colegas ou clientes, conflito entre trabalho e família, sentimento de desqualificação e falta de cooperação da equipe.
              Alguns autores defendem a Síndrome de Burnout como sendo diferente do estresse, alegam que esta doença envolve atitudes e condutas negativas com relação aos usuários, clientes, organização e trabalho, enquanto o estresse apareceria mais como um esgotamento pessoal com interferência na vida do sujeito e não necessariamente na sua relação com o trabalho. Outros julgam essa Síndrome de Burnout seria a conseqüência mais depressiva do estresse desencadeado pelo trabalho.


A SÍNDROME DE BURNOUT NOS PROFESSORES

              A burnout de professores é conhecida como uma exaustão física e emocional que começa com um sentimento de desconforto e pouco a pouco aumenta à medida que a vontade de lecionar gradualmente diminui. Sintomaticamente, a burnout geralmente se reconhece pela ausência de alguns fatores motivacionais: energia, alegria, entusiasmo, satisfação, interesse, vontade, sonhos para a vida, idéias, concentração, autoconfiança e humor.
              Um estudo feito entre professores que decidiram não retomar os postos nas salas de aula no início do ano escolar na Virgínia, Estados Unidos, revelou que entre as grandes causas de estresse estava à falta de recursos, a falta de tempo, reuniões em excesso, número muito grande de alunos por sala de aula, falta de assistência, falta de apoio e pais hostis. Em outra pesquisa, 244 professores de alunos com comportamento irregular ou indisciplinado foram instanciados a determinar como o estresse no trabalho afetava as suas vidas. Estas são, em ordem decrescente, as causas de estresses nesses professores:

·        Políticas inadequadas da escola para casos de indisciplina;
·        Atitude e comportamento dos administradores;
·        Avaliação dos administradores e supervisores;
·        Atitude e comportamento de outros professores e profissionais;
·        Carga de trabalho excessiva;
·        Oportunidades de carreiras pouco interessantes;
·        Baixo status da profissão de professor;
·        Falta de reconhecimento por uma boa aula ou por estar ensinando bem;
·        Alunos barulhentos;

Lidar com os pais

Os efeitos do estresse são identificados, na pesquisa, como:

·        Sentimento de exaustão;
·        Sentimento de frustração;
·        Sentimento de incapacidade;
·        Carregar o estresse para casa;
·        Sentir-se culpado por não fazer o bastante;
·        Irritabilidade.

As estratégias utilizadas pelos professores, segundo a pesquisa, para lidar com o estresse são:

·        Realizar atividades de relaxamento;
·        Organizar o tempo e decidir quais são as prioridades;
·        Manter uma dieta equilibrada ou balanceada e fazer exercícios;
·        Discutir os problemas com colegas de profissão;
·        Tirar o dia de folga;
·        Procurar ajuda profissional na medicina convencional ou terapias alternativas.
             
              Quando perguntados sobre o que poderia ser feito para ajudar a diminuir o estresse, as estratégias mais mencionadas foram:

·        Dar tempo aos professores para que eles colaborem ou conversem;
·        Prover os professores com cursos e workshops;
·        Fazer mais elogios aos professores, reforçar suas práticas e respeitar seu trabalho;
·        Dar mais assistência;
·        Prover os professores com mais oportunidades para saber mais sobre alunos com comportamentos irregulares e também sobre as opções de programa para o curso;
·        Envolver os professores nas tomadas de decisão da escola e melhorar a comunicação com a escola.

              Como se pode ver, o burnout de professores relaciona-se estreitamente com as condições desmotivadoras no trabalho, o que afeta, na maioria dos casos, o desempenho do profissional. A ausência de fatores motivacionais acarreta o estresse profissional, fazendo com que o profissional largue seu emprego, ou, quando nele se mantém, trabalhe sem muito apego ou esmero.


domingo, 19 de junho de 2011

COCHILAR DEPOIS DO ALMOÇO ESTIMULA A APRENDIZAGEM


         De acordo com o trabalho , uma hora de cochilo durante o dia é capaz de restaurar e até mesmo de ampliar os processos cognitivos. Por outro lado, quanto mais horas um indivíduo permanecer acordado, mais “preguiçoso” se torna o seu cérebro – perder uma noite de sono derrubaria a capacidade de armazenar novas informações em cerca de 40%.
– O sono não apenas corrige os prejuízos decorrentes de longos períodos de privação do sono, mas, em nível neurocognitivo, leva a aprendizagem para além de onde estava antes da soneca – explicou Matthew Walker, um dos autores da pesquisa.
Resultados
      Os pesquisadores já examinaram 39 adultos jovens, divididos em dois grupos, um dos quais cochilava à tarde. Ao meio dia, todos os participantes foram submetidos a rigorosos exercícios de aprendizagem com o objetivo de estimular o hipocampo, região do cérebro que atua no armazenamento de memórias. Os resultados dos dois grupos foram equivalentes.
Às 14h, o primeiro grupo começou um período de sono médio de 90 minutos, enquanto o outro permaneceu acordado. Às 18h, os dois grupos foram submetidos a nova rodada de exercícios. O grupo que ficou desperto teve rendimento pior em relação à rodada anterior, enquanto que aqueles que cochilaram não apenas foram melhor como apresentaram ganhos na capacidade de aprendizagem.
Espanhóis, mexicanos e habitantes de diversos outros países costumam tirar uma boa “siesta” logo após o almoço. Mas o hábito não ajuda apenas a descansar e a fugir do calor do meio do dia. Cochilar também estimula a aprendizagem, segundo indica um novo estudo.
Segundo os pesquisadores, os resultados reforçam a hipótese de que o sono é necessário para “limpar” a memória de curto prazo, de modo a liberar espaço para novas informações. De acordo com o estudo, tais memórias são armazenadas inicialmente no hipocampo antes de serem enviadas ao córtex pré-frontal, que tem mais espaço de armazenamento.
– É como se a caixa de entrada de e-mails estivesse cheia e, até que seja limpa, por meio do sono, não será possível receber mais mensagens – disse Walker.
Segundo os autores do estudo, esse processo de atualização ocorre na fase 2 do sono não REM (sigla para “movimentos oculares rápidos”), que se encontra entre o sono profundo (não REM) e o estado em que os sonhos ocorrem (REM).
Correlação
Os pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley pretendem investigar se a redução de sono experimentada à medida que as pessoas envelhecem está relacionada à diminuição na capacidade de aprendizagem com a idade.
Da Agência Fapesp

SÍNDROME RARA FAZ COM QUE CRIANÇA BRITÂNICA NÃO SINTA DOR

Olá pessoal, achei super interessante essa reportagem e resolvi postar no blog, espero que gostem.

           Uma doença rara faz com que o garoto britânico Oliver Jebson, de 3 anos, não sinta dor. Ele sofre da síndrome Cornélia de Lange, que atinge uma em cada 50 mil crianças. Os pais de Oliver, Hayley e Dean Jebson, estão constantemente preocupados com o filho, que já chegou a ter um corte profundo nos lábios e não avisar aos pais. O menino tem dificuldades para perceber que está tocando coisas muito quentes ou muito pontudas, e não nota que se machucou quando cai ou bate em algo. "Outro dia, ele caiu de frente e um dente de baixo entrou em seu lábio superior, mas ele nem vacilou. Ele só chora quando está emburrado", disse a mãe à agência de notícias britânica Caters. Alteração genética A síndrome Cornélia de Lange é causada pela alteração de um gene que participa do desenvolvimento do embrião. Segundo o geneticista Pablo Rodrigues De Nicola, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), por causa desta modificação, a criança geralmente nasce com baixo peso e baixa estatura. "Ela tem uma deficiência no crescimento e, muitas vezes, algum atraso neurológico também", diz o médico. A síndrome modifica as feições das crianças afetadas, que geralmente tem narizes pequenos e finos, sobrancelhas arqueadas e orelhas pequenas. É comum também que tenham más formações no coração e nos membros, além de problemas de respiração, audição e visão. Mais raramente, a síndrome também causa insensibilidade à dor. Progressos Quando Oliver nasceu, ele pesava dois quilos. Seus pais foram avisados pelos médicos de que o menino poderia não sobreviver além do segundo aniversário. Mas depois de seis cirurgias, Oliver continua fazendo progressos. Segundo seus pais, ele já deu os primeiros passos e disse as primeiras palavras, antes do que é comum para crianças com a mesma condição. "Ele continua a nos surpreender, mas ainda precisamos ser cuidadosos com ele", diz o pai de Oliver. "Se algum de nós tem uma gripe, precisamos ficar longe". O irmão mais velho de Oliver, Lewis, de 6 anos, diz sentir orgulho do irmão. "Eu sei que ele está doente, mas está melhorando", diz.

quarta-feira, 16 de março de 2011

DISCALCULIA


A dificuldade na matemática pode ter várias causas – pedagógicas; capacidade intelectual limitada; disfunção do sistema nervoso – essas desordens têm sido consideradas como discalculias, uma disfunção que impede a criança de compreender os processos e princípios matemáticos. Dependendo do grau em que se apresentem, podem ser assim agrupados:
  1. Distúrbios de linguagem receptivo-auditiva e aritmética: as crianças dessa categoria se saem bem em cálculos, mas têm dificuldades nas questões que envolvem raciocínio aritmético, em função da limitação na decodificação dos enunciados;
  2. Memória auditiva e aritmética: expressam-se de duas formas – a) dificuldades de reorganização auditiva ( reconhece o número quando ouve, mas nem sempre consegue dizê-lo quando quer); b) incapacidade de ouvir os enunciados apresentados oralmente e, em conseqüência, não é capaz de guardar os fatos , o que o impede de resolver os problemas propostos;
  3. Distúrbios de leitura e aritmética: apresentam dificuldades para ler os enunciados dos problemas, mas são capazes de fazer cálculos quando as questões são lidas em vos alta;
  4. Distúrbios de escrita e aritmética: as crianças com disgrafias não conseguem aprender os padrões motores para escrever letras e números, razão pela qual os conceitos matemáticos precisam ser passados para elas de outras maneiras até que o distúrbio da escrita tenha sido superado. 
MORAIS, Maria de Lourdes Cysneiros de. FATORES INTERVENIENTES NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM – Um Olhar Psicopedagógico (2006)

sábado, 12 de março de 2011

DISGRAFIA




Alteração da escrita que a afecta na forma ou no significado, sendo do tipo funcional. Perturbação na componente motora do acto de escrever, provocando compressão e cansaço muscular, que por sua vez são responsáveis por uma caligrafia deficiente, com letras pouco diferenciadas, mal elaboradas e mal proporcionadas.
De forma geral, a criança com disgrafia apresenta uma série de sinais ou manifestações secundárias motoras que acompanham a dificuldade no desenho das letras, e que por sua vez a determinam. Entre estes sinais encontram-se uma postura incorrecta, forma incorrecta de segurar o lápis ou a caneta, demasiada pressão ou pressão insuficiente no papel, ritmo da escrita muito lento ou excessivamente rápido.


Sinais indicadores:

  • Postura gráfica incorrecta.
  • Forma incorrecta de segurar o instrumento com que se escreve.
  • Deficiência da preensão e pressão.
  • Ritmo de escrita muito lento ou excessivamente rápido.
  • Letra excessivamente grande.
  • Inclinação.
  • Letras desligadas ou sobrepostas e ilegíveis.
  • Traços exageradamente grossos ou demasiadamente suaves.
  • Ligação entre as letras distorcida.

Problemas associados:

  • Biológicos.
  • Perturbação da lateralidade, do esquema corporal e das funções perceptivo-motoras.
  • Perturbação de eficiência psicomotora (motricidade débil; perturbações ligeiras do equilíbrio e da organização cinético-tónica; instabilidade).
  • Pedagógicas
    • Orientação deficiente e inflexível,
    • Orientação inadequada da mudança de letra de imprensa para letra manuscrita,
    • Ênfase excessiva na qualidade ou na rapidez da escrita,
    • Prática da escrita como actividade isolada das exigências gráficas e das restantes actividades discentes.
  • Pessoais
    • Imaturidade física,
    • Motora,
    • Inaptidão para a aprendizagem das destrezas motoras,
    • Pouca habilidade para pegar no lápis,
    • Adopção de posturas incorrectas,
    • Défices em aspectos do esquema corporal e da lateralidade.

O que pode fazer:

  • Encorajar a expressão através de diferentes materiais (plasticina, pinturas e lápis). Todas as tarefas que impliquem o uso das mãos e dos dedos são positivas.
  • Incitar a criança a recortar desenhos e figuras, a fazer colagens e picotar.
  • Promover situações em que a criança utilize a escrita (ex.: escrever pequenos recados, fazer convites e postais).
  • Fazer actividades como contornar figuras, pintar dentro de limites, ligar pontos, seguir um tracejado, etc.
  • Deixar a criança expressar-se livremente no papel, sem corrigir nem julgar os resultados.

DISORTOGRAFIA



A disortografia pode ser definida como o conjunto de erros da escrita que afectam a palavra mas não o seu traçado ou grafia. A disortografia é a incapacidade de estruturar gramaticalmente a linguagem, podendo manifestar-se no desconhecimento ou negligência das regras gramaticais, confusão nos artículos e pequenas palavras, e em formas mais banais na troca de plurais, falta de acentos ou erros de ortografia em palavras correntes ou na correspondência incorrecta entre o som e o símbolo escrito, (omissões, adições, substituições, etc.).


Sinais indicadores:

  • Substituição de letras semelhantes.
  • Omissões e adições, inversões e rotações.
  • Uniões e separações.
  • Omissão - adição de “h“.
  • Escrita de “n“ em vez de “m“ antes de “p“ ou “b“.
  • Substituição de “r“ por “rr“.

Problemas associados:

Perceptivos:

  • Deficiência na percepção e na memória visual auditiva
  • Deficiência a nível espácio-temporal (correcta orientação das letras), discriminação de grafemas com traços semelhantes e adequado acompanhamento da sequencia e ritmo da cadeia falada.

Linguístico:

  • Problemas de linguagem – dificuldades na articulação
  • Deficiente conhecimento e utilização do vocabulário

Afetivo-emocional:

  • Baixo nível de motivação

Pedagógicas:

  • Método de ensino não adequado, (utiliza frequentemente o ditado, não se ajusta à necessidades diferenciais e individuais dos alunos, não respeitando o ritmo de aprendizagem do sujeito).

O que pode fazer:

  • Encorajar as tentativas de escrita da criança, mostrar interesse pelos trabalhos escritos e elogiá-la. 
  • Incitar a criança a elaborar os seus próprios postais e convites, a escrever o seu diário no final do dia como rotina.
  • Chamar a atenção da criança para as situações diárias em que é necessária a utilização da escrita.
  • Incite a criança a ajudá-la na elaboração de uma carta.
  • Não valorize demasiado os erros ortográficos da criança uma vez que estes já são motivo de repreensão e frustração demasiadas vezes.
  • Não corrija simplesmente os seus erros mas tente antes procurar a solução com a criança (ex.: "qual a outra letra que podemos usar para fazer esse som?").
  • Recorra a livros de actividades que existem no mercado que permitem à criança trabalhar os vários casos de ortografia.
  • Não sobrecarregue, contudo, a criança com trabalhos e fichas que a cansem demasiado e a levem a ver as actividades académicas como desagradáveis.Também é preciso brincar.