terça-feira, 18 de maio de 2010

DISTÚRBIOS DA SAÚDE FÍSICA

Talvez, o mais conhecido dos quadros de distúrbios envolvem aspectos ligados à visão, audição, defeito ou disfunção em qualquer parte do corpo, anemias crônicas, verminoses, epilepsia.




1. DISTÚRBIOS DA VISÃO - Como identificar:



pelo modo de agir da criança – esfregar os olhos, sensibilidade à luz, piscar excessivamente, apertar os olhos…



pela queixa da criança – não enxerga bem, visão embaralhada, tonturas, dores de cabeça, náuseas…



pela observação – olhos inflamados, vermelhos, lacrimejantes, estrabismo, terçóis…



durante a leitura e a escrita – segura o livro muito perto, perde o lugar da página, pára depois de certos períodos de leitura…



Alguns distúrbios mais comuns: miopia, hipermetropia, astigmatismo, estrabismo, daltonismo.



2. DISTÚRBIOS DA AUDIÇÃO – Como identificar: defeitos de linguagem; expressão oral pobre; pedidos para que repitam palavras e instruções; uso excessivo de “o que?”, “como?”; andar arrastando os pés; ausência de reações a sons pouco intensos, for a de seu campo visual; dores ou supuração de ouvidos; ditados com muitos erros; irritabilidade…



Além da surdez congênita ou adquirida, os deficientes auditivos ou hipoacústicos são indivíduos cuja audição, apesar de deficiente, é funcional, podendo a criança ter as mesmas condições intelectuais e psicomotoras de uma criança normal.



3. DISRITMIA CEREBRAL – “Disritmia Cerebral significa apenas uma alteração do rítmo elétrico cerebral , alteração essa que pode ocorrer em intervalos de horas, dias ou meses” (CAMPOS. Apud JOSÉ & COELHO, 2002, p. 157). Podem ser produzidas por traumas de parto, falta de oxigênio ao nascer, infecção no sistema nervoso, menigites, encefalites, quedas sem causas aparentes…



4. EPILEPSIA – É um dos mais sérios problemas em sala de aula, requerendo do professor conhecimento e habilidade para atuar, procurando esclarecer-se sobre as características do quadro e as formas corretas de atendimento.



5. DISFUNÇÃO CEREBRAL MÍNIMA – Este tem sido um dos distúrbios mais difundidos e analisados no campo neurológico, desde que, em 1925, Samuel T. Orton, neurologista, reuniu, para estudo, um grupo de 65 crianças nas quais se destacavam dificuldade de leitura, escrita, soletração, escrita em espelho, troca da seqüência das letras das palavras, inquietude, falta de fixação da atenção, desajeitamento e dificuldades no aprendizado escolar. De início qualificadas como portadoras de uma “lesão cerebral mínima”, que nunca foi evidenciada em exames neurológicos, passá-se a condiderar “disfunção” em lugar de “lesão”. Até hoje, essa disfunção ainda não foi suficientemente aclarada e tem havido uma certa tendência em fazê-la coincidir com os Transtornos de Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).



6. TRANSTORNO DE DEFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE - (TDAH) – Conforme descrito acima, essas crianças apresentam sintomas que podem ser observados a partir dos 7 anos de idade e que podem ser agrupados em três núcleos: desatenção ( falha freqüênte na atenção a detalhes, dificuldade de focar a atenção em tarefas ou atividades lúdicas, parece não escutar quando lhe falam diretamente, não consegue seguir instruções risca ou terminar tarefas escolares , tem dificuldade de organização, evita atividades que solicitem esforço mental contínuo, distrai-se com estímulos externos, esquece-se das atividades diárias…); hiperatividade ( é inquieto, fica com os pés e as mãos mexendo constantemente quando sentado, levanta-se constantemente de seu lugar na sala, corre ao redor, sobe nas coisas em momentos impróprios, tem dificuldade em sentar e brincar com atividades mais quietas, está “pronto para decolar”, ou age como se estivesse “ligado a um motor”, fala excessivamente…); impulsividade ( responde de forma intempestiva, antes do t´ermini da pergunta, tem dificuldade para aguardar sua vez, intromete-se ou interrompe os outros em jogos ou conversas…). Segundo Araújo (2004, p. 28) “apesar de a Medicina não contar com dados conclusivos sobre formas de tratamento, o TDA (ou TDAH, quando associado à hiperatividade) é considerado um distúrbio psiquiátrico, portanto, uma doença”. Na escola, os indícios de que a criança possui esse distúrbio precisa ser analisados por uns seis meses antes de encaminhamento médico que, em geral, é multidisciplinar, com utilização, muitas vezes, de medicação.

sábado, 15 de maio de 2010

OS DISTÚRBIOS PSICOMOTORES

Segundo José & Coelho (2002. p. 108), “podemos definir psicomotricidade como a educação do movimento com atuação sobre o intelecto, numa relação entre pensamento e ação, englobando funções neurofisiológicas e psíquicas”. Ainda segundo as autoras, como o comportamento físico da criança expressa, uma a uma, suas dificuldades intelectuais e emocionais, pode-se dizer que a psicomotricidade é a ciência do corpo e da mente, integrando várias técnicas com as quais se pode trabalhar o corpo (todas as suas partes), relacionando-o com a afetividade, o pensamento e o nível da inteligência. Enfoca a educação dos movimentos, ao mesmo tempo em que põe em jogo as funções intelectuais. As primeiras evidências de um desenvolvimento mental normal são manifestações puramente motoras (JOSÉ & COELHO, 2002, p. 108, grifo nosso).




Qualquer distúrbio psicomotor tem ligação com problemas que envolvem o indivíduo em sua totalidade. Distúrbios psicomotores e afetivos estão, intimamente, associados, razão porque o diagnóstico não é facil de ser feito. Os sintomas mais comuns desse distúrbio estão associados à área do ritmo, da atenção, do comportamento, esquema corporal, orientação espacial e temporal, lateralidade e maruração (retardos).



Esses distúrbios podem ser classificados em quatro grupos, segundo Grünspun (apud JOSÉ & COELHO, 2002, p. 111):



1. INSTABILIDADE PSICOMOTORA – É o tipo mais complexo e causa uma série de transtornos pelas reações que o portador apresenta, com o predomínio de uma atividade muscular contínua e incessante. Essas crianças revelam instabilidade emocional e intelectual; falta de atenção e concentração; atividade muscular contínua (não terminam tarefas iniciadas); falta de coordenação geral e coordenação motora fina; hiperatividade e equilíbrio prejudicado; deficiência na formulação de conceitos e no processo de percepção ( discriminação de tamanho, figura-fundo, orientação espaço-temporal); alteração da palavra e da comunicação (atraso na linguagem e distúrbios da palavra); alterações emocionais ( são impulsivas, explosivas, sensíveis, frustram-se com facilidade, destruidoras); alterações do sono ( terror noturno, movimentos enquanto dormem); alterações no processo do pensamento abstrato; dificuldades de escolaridade ( leitura, escrita, aritmética, lentidão nas tarefas, dificuldade de copiar da lousa, entre outras manifestações.



2. DEBILIDADE PSICOMOTORA – Caracterizada por PARATONIA: Limitação nas quatro extremidades do corpo (ou apenas em duas) – “deselegância” ao correr – limitações e rigidez nas mãos e nas pernas; e SINCINESIA – Participação de músculos em movimentos aos quais eles não são necessários – descontinuidade de gestos; imprecisão nos movimentos dos braços e das pernas; dificuldade de realizar os movimentos finos dos dedos…



3. INIBIÇÃO PSICOMOTORA – Além das características da DEBILIDADE PSICOMOTORA, neste caso a ansiedade é presença constante – a criança apresenta sobrancelha franzida; cabeça baixa; problemas de coordenação motora; distúrbios de conduta, dentre outros.



4. LATERALIDADE CRUZADA – Amaioria dos autores acredita que existe no cérebro um hemisfério predominanteresponsável pela lateralidade do indivíduo – desta maneira, de acordo com a ordem enviada pelo cérebro dominante, teremos o destro ou o canhoto. No entanto, segundo José & Coelho (2002, p. 114), além da dominância da mão, existe também a do pé, do olho, do ouvido. QUANDO ESSAS DOMINÂNCIAS NÃO SE APRESENTAM DO MESMO LADO DIZ-SE QUE O INDIVÍDUO TEM LATERALIDADE CRUZADA – os distúrbios psicomotores são evidentes e resultam em deformação do esquema corporal. São algumas as formas mais comuns desse distúrbio: mão direita dominante X olho esquerdo dominante; mão direita dominante X pé esquerdo dominante e o inverso. Geralmente essas crianças apresentam alto índice de fadiga; quedas freqüentes; coordenação pobre; atenção instável; problemas de linguagem (dislalias, lingua enrolada…).



5. IMPERÍCIAS – É um distúrbio de menor gravidade, a criança apresenta inteligência normal, apesar de uma certa frustração pela dificuldade de realizar certas tarefas que exijam apurada habilidade manual. Apresentam dificuldades na coordenação motora fina; quebra constante de objetos; letra irregular; movimentos rígidos; alto índice de fadiga

segunda-feira, 10 de maio de 2010

OS DISTÚRBIOS DA ESCRITA E DA ARITMÉTICA

No domínio da ESCRITA encontramos, basicamente, três tipos de distúrbios:




1. DISGRAFIA – É a dificuldade em passar para a escrita o estímulo visual da palavra impressa. Caracteriza-se pelo lento traçado das letras, que em geral são ilegíveis. A criança disgráfica não é portadora de defeito visual ou motor, nem apresenta qualquer comprometimento intelectual ou neurológico. No entanto, ela não consegue idealizar no plano motor o que captou no plano visual. As crianças disgráficas apresentam desordem no texto, margens mal feitas, que não são respeitadas, espaço irregular entre as palavras e linhas, traçados de má qualidade (ou pequeno ou grande demais), movimentos contrários aos da escrita convencional, dentre outros.



2. DISORTOGRAFIA - Caracteriza-se pela dificuldade de transcrever corretamente a linguagem oral, havendo trocas ortográficas e confusão de letras. São normais durante as 1ª e 2ª séries do Ensino Fundamental porque a relação entre a palavra impressa e os sons ainda não está totalmente dominada. A partir daí, os professores devem avaliar as dificuldades ortográficas por seus alunos, principalmente aquelas já conhecidas e trabalhadas em sala. Algumas trocas comuns: a) Confusão de letras - f / v; p /b; ch / j; b) confusão de sílabas – cantaram / cantarão; c) confusão de palavras – pato / pelo; d) uso de palavras com um mesmo som para várias letras – casa / caza; azar / asar; exame / ezame…



3. ERROS DE FORMULAÇÃO E SINTAXE – São crianças que conseguem ler com fluência e apresentam uma linguagem oral perfeira, compreendendo e copiando palavras, mas não conseguem escrever cartas, histórias ou dar respostas a perguntas escritas em provas. Na fala escrita comete erros que não ocorrem na fala oral, não conseguindo, portanto, transmitir para a escrita os conhecimentos adquiridos.



Dentre os distúrbios da ARITMÉTICA, devemos ressaltar o fato de que essa área do conhecimento se expressa através de símbolos: assim sendo, cabe abordar aqui as dificuldades dos alunos que não conseguem compreender instruções e enunciados matemáticos, bem como as dificuldades daqueles que não conseguem lidar com as operações aritméticas, caracterizando as dificuldades em duas categorias que, aopesar de distintas, se interpenetram, uma vez que, muitas vezes, é preciso resolver a questão do não-entendimento do enunciado, antes de se verificar as dificuldades nas operações em si.



1. DISCALCULIA – A dificuldade na matemática pode ter várias causas – pedagógicas; capacidade intelectual limitada; disfunção do sistema nervoso – essas desordens têm sido consideradas como discalculias, uma disfunção que impede a criança de compreender os processos e princípios matemáticos. Dependendo do grau em que se apresentem, podem ser assim agrupados:

segunda-feira, 3 de maio de 2010

OS DISTÚRBIOS DA LEITURA

Os distúrbios de aprendizagem na área da leitura e da escrita podem ser atribuídos às mais variáveis causas:



1. ORGÂNICAS – Cardiopatias, encefalopatias, deficiências sensoriais (visuais e auditivas), deficiências motoras (paralisia infantil, paralisia cerebral), deficiências intelectuais (retardamento mental ou diminuição intelectual), disfunção cerebral ou outras enfermidades.



2. PSICOLÓGICAS – Desajustes emocionais provocados pela dificuldade que a criança tem de aprender, o que gera ansiedade, insegurança e autoconceito negativo.



3. PEDAGÓGICAS – Métodos inadequados de ensino, falta de estimulação na pré-escola dos requisitos necessários à leitura e à escrita, falta de percepção por parte da escola do nível de maturidade da criança, iniciando uma alfabetização precoce, relacionamento deficiente professor-aluno, não domínio do conteúdo e do método por parte do professor, atendimento precário à criança pela superlotação da sala…



4. SÓCIO-CULTURAIS – Falta de estimulação da criança que não faz a pré-escola e também não é estimulada no lar, desnutrição, privação cultural do meio, marginalização das crianças com dificuldades de aprendizagem pelo sistema de ensino comum. Nesse item, destacam-se os estudos de Soares (2000), em seu livro –“Linguagem e Escola: Uma perspectiva social” – onde ela faz toda uma reflexão sobre a educação nas camadas populares do Brasil. Grande parte do conflito que se dá entre o progressivo acesso à escola e a sua incompetência em gerar um ensino de qualidade para as camadas populares deve-se a seu ver à ideologia que inspira as teorias e propostas pedagógicas. Evidenciam os conflitos entre a linguagem de uma escola a serviço das classes dominantes, cujos padrões linguísticos usa e quer ver usados, e a linguagem das camadas populares, que essa escola censura e estigmatiza (p.6).



5. DISLEXIA – De acordo com José & Coelho (2002), a dislexia, apesar de ser um tipo de distúrbio da leitura, termina por ser alocado como causa específica de diatúrbios na aprendizagem da identificação dos símbolos gráficos, embora a criança apresente inteligência normal, integridade sensorial e receba estimulação e ensino adequados. Devido à falta de informações dos pais e dos professores do pré-escolar em identificar os sintomas da dislexia antes da entrada da criança na escola, ela termina por só ser identificada por volta da 1ª ou 2ª séries do fundamental, com os primeiros indícios surgindo na alfabetização. Por isso, a dificuldade na leitura significa, apenas, o resultado final de uma série de desorganizações que a criança já vinha apresentando no seu comportamento pré-verbal, não-verbal e em todas as funções básicas necessárias para o desenvolvimento da recepção, expressão e integração da função simbólica. A dislexia, segundo Myklebust (apud JOSÉ & COELHO, 2002,p. 84) “representando um déficit na capacidade de simbolozar, começa a se definir a partir da necessidade que tem a criança de lidar receptivamente ou expressivamente com a representação da realidade, ou antes, com a simbolização da realidade, ou poderíamos, também dizer, com a nomeação do mundo”. Nesse sentido, ela apresenta sérias dificuldades com a identificação dos símbolos gráficos (letras / números) no início de sua alfabetização, o que acarreta fracasso em outras áreas que dependam da leitura e da escrita. De acrdo com a Associação Brasileira de Dislexia (ABD), as principais dificuldades do disléxico são: demora a aprender a falar, a fazer laço no sapato, a reconhecer horas, a pular corda, pegar e chutar bola; dificuldades em escrever números e letras corretamente, ordenar as letras do alfabeto, meses do ano, distinguir direita e esquerda; compreensão da leitura mais lenta, incomum dificuldade em decorar tabuada, Llentidão ao fazer as quatro operações, dificuldades em pronunciar palavras longas, planejar e redigir.



Em geral considerada relapsa, desatenta, preguiçosa, sem vontade de aprender, o disléxico demonstra insegurança e baixa apreciação de si mesmo, sendo comum o abandono da escola, as reações rebeldes ou de natureza depressiva, havendo necessidade de tratamento especializado.



Entre os fatores a serem considerados no processo de aprendizagem da leitura e da escrita estão, em linhas gerais, os que se seguem: a prontidão para aprender; a percepção; o esquema corporal; a lateralidade; a orientação espacial e temporal; a coordenaçao visomotora; o ritmo; a capacidade de análise e síntese visual e auditiva; habilidades visuais e auditivas; memória cinestésica;linguagem oral. Entre os distúrbios apresentados no campo da LEITURA podemos destacar os que se expressam nas seguintes áreas:



6. MEMÓRIA – A criança, quando apresenta dificuldade auditiva e visual de reter informações, pode ser incapaz de recordas os sons das letras, de juntar sons para formar palavras ou, ainda, memorizar seqüências , não conseguindo lembrar a ordem das letras ou sons dentro das palavras. Esse distúrbio de memória resulta de disfunções do sistema nervoso central, e freqüentemente se manifesta só no aspecto visual ou só no aspecto auditivo.



7. ORIENTAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL – A criança não é capaz de reconhecer direita e esquerda, não compreende ordens que envolvem o uso dessas palavras e fica confusa nas aulas de Educação Física, por não entender as regras dos jogos. Quanto ao tempo, mostra-se incapaz de conhecer horas, dias da semana, etc.



8. ESQUEMA CORPORAL – Geralmente as crianças com distúrbios de leitura têm um conhecimento deficiente do seu esquema corporal. Apresentam dificuldade para identificar as partes do corpo e não revelam boa organização da postura corporal no espaço em que vivem.



9. MOTRICIDADE – Algumas crianças têm distúrbios secundários de coordenação motora ampla e fina, o que atrapalha seu equilíbrio e sua destreza manual. Caem com facilidade, são desajeitadas, não conseguem andar de bicicleta ou mesmo manipular peças pequenas de material pedagógico.



10. DISTÚRBIOS TOPOGRÁFICOS – É a incapacidade que algumas crianças têm de compreender legendas de mapas, gráficos, globos, maquetes. Não conseguem entender a escala simbólica que está sendo usada para definir o espaço real.



11. SOLETRAÇÃO – Existem crianças que têm profunda dificuldade de revisualizar e reorganizar auditivamente as letras - ou seja, soletrar. A limitação na escrita será resultado da limitação na leitura.



Por outro lado, em se tratando de dificuldades de leitura oral, podemos destacar as que se ligam à percepção visual e auditiva – dificuldade de discriminação visual e auditiva – bem como as que se referem à leitural silenciosa – lentidão no ler, acompanhada de dispersão; leitura subvocal (cochichada); necessidade de apontar as palavras com lápis, régua ou dedo; perda da linha durante a leitura; repetição da mesma frase ou palavra várias vezes.Todo esse conjunto de sintomas vai se refletir, diretamente, nas dificuldades de compreensão da leitura e pode ocorrer em três níveis: literal (engloba a compreensão das idéias contidas no texto); inferencial (dificuldade de perceber as idéias que não estão contidas no texto e dependem da experiência do leitor); crítico (estabelecimento de comparações e julgamentos entre o dito pelo autor e o pensado pelo leitor).

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Os Distúrbios que podem afetar a FALA

1. MUDEZ – Incapacidade de articular palavras, geralmente decorrente de transtornos do sistema nervoso central, atingindo a formulação e a coordemação das idéias e impedindo a sua transmissão em forma de comunicação verbal. Na maior parte das vezes, decorre de problemas da audição, certos tipos de distúrbio cerebral ou, ainda, outros fatores físicos como lábio leporino, dentição mal implantada, más formações da boca e do nariz, além de fatores emocionais e psicológicos, autismo, dentre outros.

2. ATRASO NA LINGUAGEM – A partir dos 14 meses, as crianças tornam-se capazes de pronunciar palavras com significado e espera-se que por volta dos 3 anos ela já apresente uma linguagem estruturada. Essa cronologia é relativa e, muitas vezes, a criança tem sua fala “atrasada” por vários motivos, dentre eles problemas de audição, e fatores emocionais ( traumas, carências afetivas, super-proteção, desejos atendidos com prontidão, falta de estimulação – crianças em asilos, por ex. …). Em princípio, esse atraso é superado após os 4 anos. Em outros casos, o problema se transforma em distúrbio específico de articulação durante alguns anos e é resolvido via tratamento especializado. Na escola, essas crianças revelam deficiência de vocabulário, deficiência na capacidade de formular idéias e desenvolvimento retardado da estruturação de sentenças.

3. PROBLEMAS DE ARTICULAÇÃO – Durante a fase pré-escolar, é normal a dificuldade de articular certos sons, pois só por volta dos 7 ou 8 anos é que os órgãos da fala têm maturidade suficiente para produzir todos os sons lingüísticos. Os problemas de articulação se subdividem em:

3.1. Dislalia – É a omissão, substituição, distorção ou acréscimo de sons na palavra falada (exemplo de substituição – substitui o r como faz o Cabolinha…);

3.2. Disartria – É um problema articulatório que se manifesta na forma de dificuldade para realizar alguns ou muitos dos movimentos necessários à emissão verbal. A fala fica lenta e arrastada, apresentando quebras de sonoridade, envolvendo ritmo e entonação, principalmente em momentos de tensão ou fadiga, nos casos mais brandos;

3.3. Linguagem Tatibitati – É um distúrbio de articulação e também de fonação em que se conserva voluntariamente a linguagem infantil, sendo, geralmente, de causa emocional, podendo resultar em problemas psicológicos para a criança, por ser incentivado pelos adultos que acham a “fala engraçadinha”.

3.4. Rinolalia – Caracteriza-se pela ressonância nasal maior ou menor do que a do padrão correto da fala. Pode ser causada por problemas nas vias nasais, por adenóide, lábio leporino ou fissura palatina, acarretando problemas emocionais pois a criança é ridicularizada pelos colegas que a imitam, gerando problemas de adaptação.

4. PROBLEMAS DE FONAÇÃO – Os problemas de fonação – ou disfonias – dizem respeito às pequenas mudanças em suas características (cadência, inflexão, intensidade, timbre ou tom), as quais funcionam, normalmente, como recursos para expressão de desejos, sentimentos e necessidades. Em certas circunstâncias, porém, esse domínio pode ser abalado, afetando todo o mecanismo de produção de sons e impedindo, portanto, que a expressão verbal se manifeste de forma adequada. Eles podem ser considerados funcionais – quando impedem o controle dos sons mas envolvem somente os órgãos periféricos; podem ser chamados de orgânicos, por outro lado, quando envolvem o comprometimento do sistema nervoso central. São exemplos de disfonias, a voz em falsete, a afonia ( que começa com uma rouquidão), a pronúncia defeituosa de alguns sons, como m em vez de b, n em vez de d, além da chamada voz monótona, de fundo orgânico, causada por doença no sistema nervoso central , caracterizada pela incapacidade de inflexão de voz.

4.1. Distúrbios de ritmo – Os distúrbios de ritmo – ou disfluência – referem-se à fala produzida com repetições de sílabas, palavras ou conjuntos de palavras, prolongamentos de sons, hesitações, bloqueios, dificuldades para prosseguir a emissão dos sons, mantendo-se a contração muscular inicial. Mas os desvios de assunto em uma conversa e a desorganização de relatos também podem ser agregados à categoria das disfluências. O exemplo mais comum de disfluência é a gagueira.

4.2. Afasia – Perda ou avaria da capacidade de se comunicar mediante a fala, a escrita ou a mímica, em princípio devida a lesão cerebral. Com diferentes manifestações, a pessoa ouve e vê mas não compreende a linguagem falada ou escrita (afasia sensorial ou receptiva); é incapaz de falar ou escrever adequadamente, mas o aparelho fonador não está paralisado ( afasia motora ou expressiva); não consegue “encontrar” as palavras nem formular conceitos ( afasia conceitual); apresenta todas as formas de linguagem afetadas ( afasia global ou mista); tem dificuldade para começar a fala e para produzir as seqüências articulatórias e gramaticais ( afasia não-fluente) e articula e produz seqüências grandes de palavras em construções gramaticais variadas, mas tem dificuldade para encontrar vocábulos ( afasia fluente).

sexta-feira, 23 de abril de 2010

FATORES QUE INTERFEREM NO SUCESSO DO PROCESSO ENSINO E APRENDIZAGEM

          Estou postando abaixo fatores que possam interferir no processo ensino e aprendizagem, algumas partes mais relevantes desse texto retirei de um Artigo de “Maria de Lourdes Cysneiros de Morais”, e que acredito ser extremamente didático e que possa ajudar professoras ou pais que ao observarem seus filhos percebam que ele apresenta alguma dessas dificuldades.
            Um dos primeiros passos é diferenciar uma nomenclatura aparentemente coincidente e usada de forma indiscriminada quando se fala dos fatores que intervem no processo de aprendizagem, geradores de sintomas de diferentes ordens e níveis, que vão da diferença à dificuldade, da deficiência (déficit) ao distúrbio (desvio), do normal ao patológico, trazendo problemas or desconpensação no processo de aprendizagem. Apoiadas em Sacconi (1996) podemos fazer um pequeno glossário:



APRENDIZAGEM – ação ou efeito de aprender; aprender – ficar sabendo, reter na memória, adquirir conhecimentos ou experiências…(p.59);

DIFERENÇA – qualidade ou condição de ser desigual ou dessemelhante; característica distintiva; distinção, discriminação… (p.249);

DIFICULDADE – qualidade ou condição de difícil; problema, impedimento, estorvo, obstáculo, complicação, complexidade…(p.250);

DEFICIÊNCIA (DEFICIT) – ausência de alguma coisa essencial; defeito; insuficiência, precariedade ( a deficiência do ensino oficial – exemplo e grifo do próprio autor…) (p.225);

DISTÚRBIO – qualquer perturbação ou interrupção da normalidade ou da paz exterior ou interior: distúrbios nervosos, políticos… (p.256);

DESVIO – ação ou efeito de desviar-se; desviar – mudar a direção, mudar a posição de, deslocar, afastar-se, separar-se, divergir…(p.245);

NORMAL - conforme ao que é padrão, natural; sem problemas mentais ou emocionais; estado natural, usual, comum; pessoa normal – normalidade s.f.; Antônimo – anormal, doente … ( p.483);

ANORMAL – o que não é normal; pessoa que sofre das faculdades mentais, excepcional…(p.46);

PATOLOGIA – estudo das causas, características e efeitos das doenças – patológico – adj….( p.510);

PROBLEMA – qualquer questão ou assunto que envolve dúvida, incerteza ou dificuldade; pessoa difícil de lidar ou de conviver... (p. 546);

SINTOMA – qualquer alteração perceptível no organismo ou em suas funções que indique doença, tipo de doença, ou fase em que ela se encontre; sinal característico de existência de algo mais, evidência – sintomático…(p.613, grifo nosso);


DESCOMPENSAÇÃO – descompasso; falta de acordo, desacordo…(p.235);