quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Caracterizando os distúrbios de aprendizagem propriamente ditos


Definir, de fato, o que corresponde a tal classe de problemas não é uma 
tarefa fácil conforme podemos verificar pela  definição do próprio National Joint 
Comittee of Learning Disabilities   (1980) segundo o qual o Distúrbio de 
Aprendizagem corresponde a “um termo genérico que se refere a um grupo 
heterogêneo de transtornos que se manifesta por dificuldades significativas na 
aquisição e uso de habilidades para ouvir, falar, ler, escrever e realizar cálculos 
matemáticos. Embora o distúrbio de aprendizagem possa ocorrer 
concomitantemente com outras condições  deficitárias (como distúrbios sensoriais, 
deficiência mental, distúrbios sociais e emocionais), ou influências ambientais 
(diferenças culturais, instrução insuficiente ou inapropriada), não é resultado direto 
de tais condições ou influências.”  Presume-se que tais transtornos são devidos a 
uma disfunção do sistema nervoso central resultando de fatores como diferenças 
anatômicas, genéticas, atraso neuromaturacional, desequilíbrio neuroquímico ou 
metabólico e severa deficiência nutricional (HARRIS e HODGES, 1995) 
Neste sentido, de acordo com Gonçalves (2003), a aplicação do modelo 
neuropsicológico aos distúrbios de aprendizagem considera que eles constituem a 
expressão de uma disfunção cerebral específica, causada por fatores genéticos ou 
ambientais que alteram o neurodesenvolvimento. Relata, ainda, cinco sistemas 
funcionais relacionados com funções cognitivas, conforme descreve Pennington 
(1991, apud GONÇALVES, 2003): 

1. Região perisilviana esquerda: responsável por funções ligadas ao 
processamento fonológico, sendo que sua disfunção ocasionará transtornos 
disléxicos.


2. Area do hipocampo e amígdalas de ambos os hemisférios: mantem relação 
com a memória de longo prazo levando a transtornos mnésicos no caso de 
alterações.  

3. Região posterior do hemisfério cerebral direito: desempenha uma função 
cognitiva espacial. Alterações desta área levam à síndrome de disfunção 
hemisférica direita, com sintomas de  déficit visuo-espacial, discalculia e 
disgrafia. 

4. Região anterior do hemisfério cerebral direito: a região do sistema límbico e 
a região órbito-frontal do hemisfério  direito têm função cognitiva social. 
Disfunções nesta área produzem alterações comportamentais de gravidade 
variada e com expressão mais grave nos quadros autísticos. 

5. Lobo pré-frontal: desempenha função de planejamento e execução motora. 
As alterações desta área produzem a síndrome disexecutiva com prejuízo 
da atenção e da iniciativa, déficits nos processos de planejamento e 
antecipação, assim como dificuldades nas abstrações . 

Por outro lado, deve ser apontado que, conforme Ciasca (2003), as 
dificuldades relativas ao aprendizado escolar podem atingir de 5 a 20% da 
população escolar, em países desenvolvidos. Entretanto, somente 7% teriam 
algum tipo de disfunção neurológica, sendo 5% com sinais neurológicos leves e 
2% com disfunções graves.  
Considerando-se o DSM-IV, Manual  Diagnóstico e Estatístico de 
Transtornos Mentais (APA, 1994), vemos que os transtornos de aprendizagem são 
definidos como “Transtornos das Habilidades Escolares” e incluem os Transtornos 
de Leitura, Transtornos da Matemática, Transtornos da Expressão Escrita e 
Transtornos da Aprendizagem sem outra Especificação. 
Ainda, segundo o DSM-IV (APA, 1994), os “Transtornos de Aprendizagem 
sem outra Especificação” dizem respeito aos “Transtornos de Aprendizagem que 
não satisfazem os critérios para qualquer Transtorno da Aprendizagem Específico, 
podendo incluir problemas em todas as três áreas (leitura, matemática, expressão 
escrita) que, juntos, interferem significativamente no rendimento escolar, embora o 
desempenho nos testes que medem cada habilidade isoladamente não esteja
acentuadamente abaixo do nível esperado,  considerando a idade cronológica, a 
inteligência medida e a escolaridade apropriada à idade do indivíduo.”  
De acordo com o CID-10 (1999), os  distúrbios de aprendizagem são 
definidos com “Transtornos Específicos do Desenvolvimento das Habilidades 
Escolares”, sendo que correspondem a  “Transtornos nos quais as modalidades 
habituais de aprendizado estão alteradas desde as primeiras etapas do 
desenvolvimento. O comprometimento não é somente a conseqüência da falta de 
oportunidade de aprendizagem ou de um retardo mental, e ele não é devido a um 
traumatismo ou doença cerebrais.”  Aponta os seguintes problemas nesta 
categoria: Transtorno Específico de Leitura (Dislexia); Transtorno Específico de 
Soletração; Transtorno Específico da Habilidade em Aritmética; Transtorno Misto 
de Habilidades Escolares; Outros Transtornos do Desenvolvimento das 
Habilidades Escolares e o Transtorno não Especificado do Desenvolvimento das 
Habilidades Escolares. 
 Consultando o site www.schwablearning.org mantido por Charles and Helen 
Schwab Foundation (http://www.schwablearning.org/articles.asp?r=25&g=1), 
organização voltada para a orientação  e ajuda de pessoas que apresentam 
distúrbios de aprendizagem, encontramos os seguintes dados que, no geral, vão 
de encontro às definições anteriores:  

O que é um Distúrbio de Aprendizagem? (Learning Disability)  
O Distúrbio de Aprendizagem afeta o modo pelo qual crianças com inteligência 
média, ou acima da média, recebem, processam ou expressam informações e que 
se mantém por toda a vida. Isto prejudica a habilidade para aprender habilidades 
básicas em leitura, escrita ou matemática. A Coordinated Campaign for Learning 
Disabilities (CCLD), uma coalizão de organizações nacionais ligadas aos distúrbios 
de aprendizagem, define-os como “uma desordem neurobiológica na qual o 
cérebro da pessoa trabalha ou é estruturado de uma maneira diferente.” 

O que o Distúrbio de Aprendizagem não é


•  Déficit de atenção, tal como o Transtorno do Déficit de 
Atenção/Hiperatividade (TDAH). Distúrbios de aprendizagem e TDAH 
freqüentemente ocorrem ao mesmo tempo, mas não são a mesma coisa.  
•  Distúrbio de aprendizagem não é a mesma coisa que deficiência ou retardo 
mental, autismo, deficiência auditiva ou visual, deficiência física, distúrbio 
emocional ou o processo normal de aquisição de uma segunda língua.  
•  Distúrbios de aprendizagem não são causados por falta de oportunidade 
educacional como trocas freqüentes de escolas, por faltas constantes às 
aulas ou falhas no ensino das habilidades básicas. 
Quais as manifestações? 
Muitas vezes os transtornos de aprendizagem estão acompanhados de falta de 
motivação, imaturidade e problemas comportamentais. Porém, caso a criança 
apresente dificuldades significativas e mais duráveis em termos das habilidades 
básicas de leitura, escrita e aritmética, o problema deve ser um distúrbio de 
aprendizagem.  
Algumas características:  
Fase pré-escolar 
•  Começa a falar mais tarde do que a maioria das crianças 
•  Tem dificuldades para encontrar as palavras apropriadas em situação de 
conversação 
•  Tem dificuldades para nomear rapidamente palavras de uma determinada 
categoria 
•  Apresenta dificuldades com rimas 
•  Tem problemas para aprender o alfabeto, dias da semana, cores, forma e 
números 
•  É extremamente agitada e facilmente se distrai 
•  Dificuldades para seguir ordens e rotinas
Fase escolar inicial 
•  Demora para aprender as relações entre letras e sons  
•  Dificuldades para sintetizar os sons e formar palavras

•  Faz erros consistentes de leitura e de ortografia  
•  Dificuldades para relembrar seqüências e para dizer as horas  
•  Lentidão para aprender novas habilidades  
•  Dificuldades em termos de planejamento   
Fase escolar – séries mais avançadas
•  Lentidão para aprender prefixos, sufixos, rota lexical e outras estratégias de 
leitura 
•  Evita leitura em voz alta   
•  Dificuldades com os enunciados de problemas em matemática  
•  Soletra a mesma palavra de modos diferentes  
•  Evita tarefas envolvendo leitura e escrita  
•  Dificuldades para lembrar ou compreender o que foi lido  
•  Trabalha lentamente 
•  Dificuldades para compreender  e/ou generalizar conceitos  
•  Confusões em termos de endereços e informações 




DISCALCULIA


A matemática para algumas crianças ainda é um bicho de sete cabeças. Muitos não compreendem os problemas que a professora passa no quadro e ficam muito tempo tentando entender se é para somar, diminuir ou multiplicar; não sabem nem o que o problema está pedindo. Alguns, em particular, não entendem os sinais, muito menos as expressões. Contas? Só nos dedos e olhe lá.
Em muitos casos o problema não está na criança, mas no professor que elabora problemas com enunciados inadequados para a idade cognitiva da criança.
Carraher afirma que:

“Vários estudos sobre o desenvolvimento da criança mostram que termos quantitativos como “mais”, “menos”, maior”, “menor” etc. são adquiridos gradativamente e, de início, são utilizados apenas no sentido absoluto de “o que tem mais”, “o que é maior” e não no sentido relativo de “ ter mais que” ou “ser maior que”. A compreensão dessas expressões como indicando uma relação ou uma comparação entre duas coisas parece depender da aquisição da capacidade de usar da lógica que é adquirida no estágio das operações concretas”...”O problema passa então a ser algo sem sentido e a solução, ao invés de ser procurada através do uso da lógica, torna-se uma questão de adivinhação” (2002, p. 72).


No entanto, em outros casos a dificuldade pode ser realmente da criança e trata-se de um distúrbio e não de preguiça como pensam muitos pais e professores desinformados.
Em geral, a dificuldade em aprender matemática pode ter várias causas.
De acordo com Johnson e Myklebust, terapeutas de crianças com desordens e fracassos em aritmética, existem alguns distúrbios que poderiam interferir nesta aprendizagem:

  • Distúrbios de memória auditiva:
- A criança não consegue ouvir os enunciados que lhes são passados oralmente, sendo assim, não conseguem guardar os fatos, isto lhe incapacitaria para resolver os problemas matemáticos.
- Problemas de reorganização auditiva: a criança reconhece o número quando ouve, mas tem dificuldade de lembrar do número com rapidez.

  • Distúrbios de leitura:
- Os dislexos e outras crianças com distúrbios de leitura apresentam dificuldade em ler o enunciado do problema, mas podem fazer cálculos quando o problema é lido em voz alta. É bom lembrar que os dislexos podem ser excelentes matemáticos, tendo habilidade de visualização em três dimensões, que as ajudam a assimilar conceitos, podendo resolver cálculos mentalmente mesmo sem decompor o cálculo. Podem apresentar dificuldade na leitura do problema, mas não na interpretação.
- Distúrbios de percepção visual: a criança pode trocar 6 por 9, ou 3 por 8 ou 2 por 5 por exemplo. Por não conseguirem se lembrar da aparência elas têm dificuldade em realizar cálculos.

  • Distúrbios de escrita:
- Crianças com disgrafia têm dificuldade de escrever letras e números.

Estes problemas dificultam a aprendizagem da matemática, mas a discalculia impede a criança de compreender os processos matemáticos.
A discalculia é um dos transtornos de aprendizagem que causa a dificuldade na matemática. Este transtorno não é causado por deficiência mental, nem por déficits visuais ou auditivos, nem por má escolarização, por isso é importante não confundir a discalculia com os fatores citados acima.
O portador de discalculia comete erros diversos na solução de problemas verbais, nas habilidades de contagem, nas habilidades computacionais, na compreensão dos números.
Kocs (apud García, 1998) classificou a discalculia em seis subtipos, podendo ocorrer em combinações diferentes e com outros transtornos:
  1. Discalculia Verbal - dificuldade para nomear as quantidades matemáticas, os números, os termos, os símbolos e as relações.
  2. Discalculia Practognóstica - dificuldade para enumerar, comparar e manipular objetos reais ou em imagens matematicamente.
  3. Discalculia Léxica - Dificuldades na leitura de símbolos matemáticos.
  4. Discalculia Gráfica - Dificuldades na escrita de símbolos matemáticos.
  5. Discalculia Ideognóstica – Dificuldades em fazer operações mentais e na compreensão de conceitos matemáticos.
  6. Discalculia Operacional - Dificuldades na execução de operações e cálculos numéricos.

Na área da neuropsicologia as áreas afetadas são:

  • Áreas terciárias do hemisfério esquerdo que dificulta a leitura e compreensão dos problemas verbais, compreensão de conceitos matemáticos;
  • Lobos frontais dificultando a realização de cálculos mentais rápidos, habilidade de solução de problemas e conceitualização abstrata.
  • Áreas secundárias occípito-parietais esquerdos dificultando a discriminação visual de símbolos matemáticos escritos.
  • Lobo temporal esquerdo dificultando memória de séries, realizações matemáticas básicas.

De acordo com Johnson e Myklebust a criança com discalculia é incapaz de:

  • Visualizar conjuntos de objetos dentro de um conjunto maior;
  • Conservar a quantidade: não compreendem que 1 quilo é igual a quatro pacotes de 250 gramas.
  • Seqüenciar números: o que vem antes do 11 e depois do 15 – antecessor e sucessor.
  • Classificar números.
  • Compreender os sinais +, - , ÷, ×.
  • Montar operações.
  • Entender os princípios de medida.
  • Lembrar as seqüências dos passos para realizar as operações matemáticas.
  • Estabelecer correspondência um a um: não relaciona o número de alunos de uma sala à quantidade de carteiras.
  • Contar através dos cardinais e ordinais.

Os processos cognitivos envolvidos na discalculia são:

1. Dificuldade na memória de trabalho;
2. Dificuldade de memória em tarefas não-verbais;
3. Dificuldade na soletração de não-palavras (tarefas de escrita);
4. Não há problemas fonológicos;
5. Dificuldade na memória de trabalho que implica contagem;
6. Dificuldade nas habilidades visuo-espaciais;
7. Dificuldade nas habilidades psicomotoras e perceptivo-táteis.

De acordo com o DSM-IV, o Transtorno da Matemática caracteriza-se da seguinte forma:
  • A capacidade matemática para a realização de operações aritméticas, cálculo e raciocínio matemático, encontra-se substancialmente inferior à média esperada para a idade cronológica, capacidade intelectual e nível de escolaridade do indivíduo.
  • As dificuldades da capacidade matemática apresentadas pelo indivíduo trazem prejuízos significativos em tarefas da vida diária que exigem tal habilidade.
  • Em caso de presença de algum déficit sensorial, as dificuldades matemáticas excedem aquelas geralmente a este associadas.
  • Diversas habilidades podem estar prejudicadas nesse Transtorno, como as habilidades lingüisticas (compreensão e nomeação de termos, operações ou conceitos matemáticos, e transposição de problemas escritos em símbolos matemáticos), perceptuais (reconhecimento de símbolos numéricos ou aritméticos, ou agrupamento de objetos em conjuntos), de atenção (copiar números ou cifras, observar sinais de operação), e matemáticas (dar seqüência a etapas matemáticas, contar objetos e aprender tabuadas de multiplicação).

Quais os comprometimentos?

  • Organização espacial;
  • Auto-estima;
  • Orientação temporal;
  • Memória;
  • Habilidades sociais;
  • Habilidades grafomotoras;
  • Linguagem/leitura;
  • Impulsividade;
  • Inconsistência (memorização).

Ajuda do professor:

O aluno deve ter um atendimento individualizado por parte do professor que deve evitar:

  • Ressaltar as dificuldades do aluno, diferenciando-o dos demais;
  • Mostrar impaciência com a dificuldade expressada pela criança ou interrompê-la várias vezes ou mesmo tentar adivinhar o que ela quer dizer completando sua fala;
  • Corrigir o aluno freqüentemente diante da turma, para não o expor;
  • Ignorar a criança em sua dificuldade.

Dicas para o professor:
·         Não force o aluno a fazer as lições quando estiver nervoso por não ter conseguido;
·         Explique a ele suas dificuldades e diga que está ali para ajudá-lo sempre que precisar;
·         Proponha jogos na sala;
·         Não corrija as lições com canetas vermelhas ou lápis;
·         Procure usar situações concretas, nos problemas.


Ajuda do profissional:

Um psicopedagogo pode ajudar a elevar sua auto-estima valorizando suas atividades, descobrindo qual o seu processo de aprendizagem através de instrumentos que ajudarão em seu entendimento. Os jogos irão ajudar na seriação, classificação, habilidades psicomotoras, habilidades espaciais, contagem.
Recomenda-se pelo menos três sessões semanais.
O uso do computador é bastante útil, por se tratar de um objeto de interesse da criança.
O neurologista irá confirmar, através de exames apropriados, a dificuldade específica e encaminhar para tratamento. Um neuropsicologista também é importante para detectar as áreas do cérebro afetadas. O psicopedagogo, se procurado antes, pode solicitar os exames e avaliação neurológica ou neuropsicológica.

O que ocorre com crianças que não são tratadas precocemente?

  • Comprometimento do desenvolvimento escolar de forma global
  • O aluno fica inseguro e com medo de novas situações
  • Baixa auto-estima devido a críticas e punições de pais e colegas
  • Ao crescer o adolescente / adulto com discalculia apresenta dificuldade em utilizar a matemática no seu cotidiano.


Qual a diferença? Acalculia e Discalculia.
A discalculia já foi relatada acima.
A acalculia ocorre quando o indivíduo, após sofrer lesão cerebral, como um acidente vascular cerebral ou um traumatismo crânio-encefálico, perde as habilidades matemáticas já adquiridas. A perda ocorre em níveis variados para realização de cálculos matemáticos.

Cuidado!
As crianças, devido a uma série de fatores, tendem a não gostar da matemática, achar chata, difícil. Verifique se não é uma inadaptação ao ensino da escola, ou ao professor que pode estar causando este mal estar. Se sua criança é saudável e está se desenvolvendo normalmente em outras disciplinas não se desespere, mas é importante procurar um psicopedagogo para uma avaliação.
Muitas confundem inclusive maior-menor, mais-menos, igual-diferente

terça-feira, 28 de agosto de 2012


Palestra ministrada pelo médico psiquiatra Dr. Içami Tiba, em Curitiba, 23/07/08.
O palestrante é membro eleito do Board of Directors of the International Association of Group Psychotherapy.Conselheiro do Instituto Nacional de Capacitação e Educação para o Trabalho "Via de Acesso".
Professor de cursos e workshops no Brasil e no Exterior. Em pesquisa realizada em março de 2004, pelo IBOPE,
entre os psicólogos do Conselho Federal de Psicologia, os entrevistados colocaram o Dr. Içami Tiba como terceiro
autor de referência e admiração - o primeiro nacional.
  • 1º- lugar: Sigmund Freud;
  • 2º- lugar: Gustav Jung;
  • 3º- lugar: Içami Tiba. 

    1. A educação não pode ser delegada à escola. Aluno é transitório.
    Filho é para sempre.

    2. O quarto não é lugar para fazer criança cumprir castigo. Não se pode castigar com internet, som, tv, etc... 

    3. Educar significa punir as condutas derivadas de um comportamento errôneo. Queimou índio pataxó, a pena (condenação judicial) deve ser passar o dia todo em hospital de queimados. 

    4. É preciso confrontar o que o filho conta com a verdade real. 
    Se falar que professor o xingou, tem que ir até a escola e ouvir o outro 
    lado, além das testemunhas. 

    5. Informação é diferente de conhecimento. O ato de conhecer vem após 
    o ato de ser informado de alguma coisa. Não são todos que conhecem. 
    Conhecer camisinha e não usar significa que não se tem o conhecimento 
    da prevenção que a camisinha proporciona. 

    6. A autoridade deve ser compartilhada entre os pais.Ambos devem mandar. Não podem sucumbir aos desejos da criança. Criança não quer 
    comer? A mãe não pode alimentá-la. A criança deve aguardar até a próxima 
    refeição que a família fará. A criança não pode alterar as regras da casa. 
    A mãe NÃO PODE interferir nas regras ditadas pelo pai (e nas punições 
    também) e vice-versa. Se o pai determinar que não haverá um passeio, 
    a mãe não pode interferir. Tem que respeitar sob pena de criar um 
    delinquente

    7. Em casa que tem comida, criança não morre de fome .Se ela quiser 
    comer, saberá a hora. E é o adulto quem tem que dizer QUAL É A HORA 
    de se comer e o que comer. 

    8. A criança deve ser capaz de explicar aos pais a matéria que estudou e 
    na qual será testada. Não pode simplesmente repetir, decorado. 
    Tem que entender. 

    9. É preciso transmitir aos filhos a ideia de que temos de produzir o 
    máximo que podemos. Isto porque na vida não podemos aceitar a média 
    exigida pelo colégio: não podemos dar 70% de nós, ou seja, não podemos 
    tirar 7,0. 

    10. As drogas e a gravidez indesejada estão em alta porque os adolescentes estão em busca de prazer. E o prazer é inconsequente. 

    11. A gravidez é um sucesso biológico e um fracasso sob o ponto de vista 
    sexual. 

    12. Maconha não produz efeito só quando é utilizada. Quem está são, 
    mas é dependente, agride a mãe para poder sair de casa, para fazer uso da 
    droga . A mãe deve, então, virar as costas e não aceitar as agressões. 
    Não pode ficar discutindo e tentando dissuadi-lo da ideia. Tem que dizer 
    que não conversará com ele e pronto. Deve 'abandoná-lo'. 

    13. A mãe é incompetente para 'abandonar' o filho. Se soubesse fazê-lo, 
    o filho a respeitaria. Como sabe que a mãe está sempre ali, não a respeita.

    14. Se o pai ficar nervoso porque o filho aprontou alguma coisa, não deve 
    alterar a voz. Deve dizer que está nervoso e, por isso, não quer discussão 
    até ficar calmo. A calmaria, deve o pai dizer, virá em 2, 3, 4 dias. 
    Enquanto isso, o videogame, as saídas, a balada, ficarão suspensas, 
    até ele se acalmar e aplicar o devido castigo. 

    15. Se o filho não aprendeu ganhando, tem que aprender perdendo. 

    16. Não pode prometer presente pelo sucesso que é sua obrigação. 
    Tirar nota boa é obrigação. Não xingar avós é obrigação. Ser polido é 
    obrigação. Passar no vestibular é obrigação. Se ganhou o carro após o 
    vestibular, ele o perderá se for mal na faculdade. 

    17. Quem educa filho é pai e mãe. Avós não podem interferir na educação 
    do neto, de maneira alguma. Jamais. Não é cabível palpite. Nunca. 

    18. Muitas são desequilibradas ou mesmo loucas. Devem ser tratadas
    (palavras dele). 

    19. Se a mãe engolir sapos do filho, ele pensará que a sociedade terá que engolir também. 

    20. Videogames são um perigo: os pais têm que explicar como é a 
    realidade, mostrar que na vida real não existem 'vidas', e sim uma única 
    vida. Não dá para morrer e reencarnar. Não dá para apostar tudo, apertar 
    o botão e zerar a dívida. 

    21. Professor tem que ser líder. Inspirar liderança. Não pode apenas bater cartão. 

    22. Pais e mães não pode se valer do filho por uma inabilidade que eles tenham. 'Filho, digite isso aqui pra mim porque não sei lidar com o 
    computador'. Pais têm que saber usar o Skype, pois no mundo em que a 
    ligação é gratuita pelo Skype, é inconcebível pagarem para falar com o 
    filho que mora longe. 

    23. O erro mais frequente na educação do filho é colocá-lo no topo da casa. 
    O filho não pode ser a razão de viver de um casal. O filho é um dos 
    elementos. O casal tem que deixá-lo, no máximo, no mesmo nível que eles. 
    A sociedade pagará o preço quando alguém é educado achando-se o 
    centro do universo. 

    24. Filhos drogados são aqueles que sempre estiveram no topo da família

    25. Cair na conversa do filho é criar um marginal. Filho não pode dar palpite em coisa de adulto. Se ele quiser opinar sobre qual deve ser a geladeira, terá que mostrar qual é o consumo (kWh) da que ele indicar. 
    Se quiser dizer como deve ser a nova casa, tem que dizer quanto isso 
    (seus supostos luxos) incrementará o gasto final. 

    26. Dinheiro 'a rodo' para o filho é prejudicial. Mesmo que os pais o 
    tenham, precisam controlar e ensinar a gastar.

terça-feira, 13 de março de 2012

A IMPORTÂNCIA DA NEUROCIÊNCIA NA EDUCAÇÃO Fga Vera Lucia de Siqueira Mietto CFFª 3026


Os avanços e descobertas na área da neurociência ligada ao processo de 
aprendizagem é sem duvida, uma revolução para o meio educacional. A 
Neurociência da aprendizagem, em termos gerais, é o estudo de como o cérebro 
aprende. É o entendimento de como as redes neurais  são estabelecidas no 
momento da aprendizagem, bem como de que maneira os estímulos chegam ao 
cérebro, da forma como as memórias se consolidam, e de como temos acesso a 
essas informações armazenadas.  
Quando falamos em educação e aprendizagem, estamos  falando em 
processos neurais, redes que se estabelecem, neurônios que se ligam e fazem 
novas sinapses. E o que entendemos por aprendizagem? Aprendizagem, nada mais 
é do que esse maravilhoso e complexo processo pelo  qual o cérebro reage aos 
estímulos do ambiente, ativa essas sinapses (ligações entre os neurônios por onde 
passam os estímulos), tornado-as mais “intensas”. A cada estimulo novo, a cada 
repetição de um comportamento que queremos que seja consolidado temos circuitos 
que processam as informações, que deverão ser então consolidadas. 
A neurociência nos vem descortinar o que antes desconhecíamos sobre o 
momento da aprendizagem. O cérebro, esse órgão fantástico e misterioso, é 
matricial nesse processo do aprender. Suas regiões, lobos, sulcos, reentrâncias tem 
sua função e real importância num trabalho em conjunto, onde cada um precisa e 
interage com o outro. Mais qual o papel e função de cada região cerebral? Aonde o 
aprender tem realmente a sua sede e necessita ser estimulada adequadamente?  
Conhecer o papel do hipocampo na consolidação de nossas memórias, a 
importância do sistema límbico, responsável pelas nossas emoções, desvendar os 
mistérios que envolvem a região frontal, sede da cognição, linguagem e escrita, 
poder entender os mecanismos atencionais e comportamentais de nossas crianças 
com TDAH, as funções executivas e o sistema de comando inibitório do lobo pré-frontal é hoje fundamental na educação assim como compreender as vias e rotas 
que norteiam a leitura e escrita (regidas inicialmente pela região visual mais 
especifica (parietal), que reconhece as formas visuais das letras e depois acessando 
outras áreas para que a codificação e decodificação dos sons sejam efetivas. Como 
não penetrar nos mistérios da região temporal relacionado á percepção e 
identificações dos sons onde os reconhece por completo? (área temporal verbal que 
produz os sons para que possamos fonar as letras).  Não esquecendo a região 
occipital que tem como uma de suas funções coordenar e reconhecer os objetos 
assim como o reconhecimento da palavra escrita. Assim, cada órgão se conecta e 
se interliga nesse trabalho onde cada estrutura com seus neurônios específicos e 
especializados desempenham um papel importantíssimo nesse aprender. 
Podemos compreender, desta forma que o uso de estratégias adequadas em 
um processo de ensino dinâmico e prazeroso provocará consequentemente, 
alterações na quantidade e qualidade destas conexões sinápticas, afetando assim o 
funcionamento cerebral, de forma positiva e permanente, com resultados 
extremamente satisfatórios. . 
Estudos na área neurocientífica, centrados no manejo do aluno em sala de 
aula vem nos esclarecer que a aprendizagem ocorre quando dois ou mais sistemas 
funcionam de forma inter relacionada. Assim, podemos entender, por exemplo, como 
é valioso aliar a musica e os jogos em atividades escolares, pois há a possibilidade 
de se trabalhar simultaneamente mais de um sistema: o auditivo, o visual e até 
mesmo o sistema tátil (a música possibilitando dramatizações).  
Os games (adorados pelas crianças e adolescentes) ainda em discussão no 
âmbito acadêmico são fantásticos na sua forma de manter nossos alunos plugados 
e podem ser mais uma ferramenta facilitadora, pois possibilita estimular o raciocínio 
lógico, a atenção, a concentração, os conceitos matemáticos e através de 
cruzadinhas e caça-palavras interativos, desenvolver a ortografia de forma 
desafiadora e prazerosa para os alunos. Vários sites na internet nos disponibilizam 
esses jogos. 

Desta forma, o grande desafio dos educadores é viabilizar uma aula que 
'facilite' esse disparo neural, as sinapses e o funcionamento desses sistemas, sem 
que necessariamente o professor tenha que saber se a melhor forma de seu aluno 
lidar com os objetos externos é: auditiva, visual ou tátil. Quando ciente da 
modalidade de aprendizagem do seu aluno, (e isso não está longe de termos na 
formação de nossos educadores) o professor saberá quais estratégias mais 
adequadas utilizar e certamente fará uso desse grande e inigualável meio facilitador 
no processo ensino – aprendizagem. 
Outra grande descoberta das neurociências é que através de atividades 
prazerosas e desafiadoras o “disparo” entre as células neurais acontece mais 
facilmente: as sinapses se fortalecem e redes neurais se estabelecem com mais 
facilidade.  
Mas como desencadear isso em sala de aula? Como o professor pode ajudar 
nesse “fortalecimento neural”?Todo ensino desafiador ministrado de forma lúdica 
tem esse efeito: aulas dinâmicas, divertidas, ricas em conteúdo visual e concreto, 
onde o aluno não é um mero observador, passivo e distante, mas sim, participante, 
questionador e ativo nessa construção do seu próprio saber, o deixam “literalmente 
ligado”, plugado, antenado.  
O conteúdo antes desestimulante e repetitivo para o aluno e professor ganha 
uma nova roupagem: agora propicia novas descobertas, novos saberes, é dinâmico 
e flexível, plugado em uma era informatizada aonde  a cada momento novas 
informações chegam ao mundo desse aluno. Professor  e aluno interagem 
ativamente, criam, viabilizam possibilidades e meios de fazer esse saber, 
construindo juntos a aprendizagem. 
Uma aula enriquecida com esses pré- requisitos é mágica, envolvente e 
dinâmica. É saber fazer uso de uma estratégia assertiva onde conhecimentos 
neurocientíficos e educação caminham lado a lado. Mas como isso é possível? O 
que fazer em sala de aula? A seguir veremos algumas sugestões que podem ser 
adotadas: 

1- Estabeleça regras para que haja um convívio harmonioso de todos em sala de 
aula, fazendo com que os alunos sejam responsáveis pela organização, limpeza 
e utilização dos materiais. Opinando e criando as regras e normas adotadas, 
eles se sentirão responsáveis pela sala de aula 
2- Faça uso de materiais diversificados que explorem todos os sentidos. Visual: 
mural, cartazes coloridos, filmes, livros, filmes educativos; Tátil: material 
concreto e objetos de sucata planejados. Há uma riqueza de sites na internet 
que nos disponibilizam atividades muito ricas e prazerosas. A criatividade aflora 
e a aula se torna muito divertida; Auditivo: música e bandinhas feitas com 
material de sucata, sempre com o conteúdo inserida  nelas. A criação de 
musicas sobre conteúdos é uma forma divertida de aprender. Talentos 
apareceram em sala de aula. E quem não gosta de cantar? A aula fica muito rica 
e prazerosa!  
3- Reserve um lugar com almofadas e tapete, para momentos de descanso e 
reflexão. O “cantinho da leitura” é fundamental na sala de aula na ausência de 
uma biblioteca. Relaxar após o trabalho prazeroso significa dar tempo para o 
cérebro escanear todo o conteúdo que vai ser assimilado, ativar o hipocampo 
(região responsável pelas memórias) e consolidar o que se aprendeu. 
4- Estabeleça rotinas onde possam realizar trabalhos individuais, em dupla e em 
grupo. (rotinas estabelecidas reforçam comportamentos assertivos e 
organização. Crianças com TDAH, que apresentam mal  funcionamento das 
funções executivas se beneficiam com rotinas e regras pré estabelecidas). O 
trabalho em equipe é extremamente prazeroso, ativa  as regiões límbicas 
(responsáveis pelas emoções) e como sabemos que o aprender está ligado à 
emoção, a consolidação do conteúdo se faz de maneira mais efetiva. 
(hipocampo) 
5- Trabalhar o mesmo conteúdo de varias formas possibilita aos alunos “mais 
lentos” oportunidades de vivenciarem a aprendizagem de acordo com suas 
possibilidades neurais. Dê aos mais rápidos, atividades que reforcem ainda mais 
esse conteúdo, que os mantenham atentos e concentrados, para que os mais 
lentos não sejam prejudicados com conversas e agitação dos mais rápidos. 

6-  A flexibilidade em sala de aula permite uma aprendizagem mais dinâmica e 
melhor percebida por todos os alunos. O professor que ministra bem os conflitos 
em ala de aula, que tem “jogo de cintura” e apresenta o conteúdo com prazer 
mantém seus alunos “plugados” na sala de aula. 
Desta forma, sabedores deste mecanismo neural que impulsiona a 
aprendizagem, das estratégias facilitadoras que estimulam as sinapses e 
consolidam o conhecimento, dessa magia onde cada estrutura cerebral se interliga 
para que todos os canais sejam ativados. Assim, como numa orquestra 
afinadíssima, onde a melodia sai perfeita, estar de posse desses importantes 
conhecimentos e descobertas será como reger uma orquestra onde o maestro 
saberá o quão precisamente estão afinados seus instrumentos e como poderá tirar 
deles melodias harmoniosas e suaves! 
A neurociência se constitui assim em atual e uma grande aliada do professor 
para poder identificar o individuo como ser único, pensante, atuante, que aprende de 
uma maneira toda sua, única e especial. Desvendando os mistérios que envolvem o 
cérebro na hora da aprendizagem, a neurociências disponibiliza, ao moderno 
professor (neuroeducador), impressionantes e sólidos conhecimentos sobre como se 
processam a linguagem, a memória, o esquecimento, o humor, o sono, a atenção, o 
medo, como incorporamos o conhecimento, o desenvolvimento infantil, as nuances 
do desenvolvimento cerebral desta infância e os processos que estão envolvidos na 
aprendizagem acadêmica.  Logo, um vasto campo de preciosas informações 
relacionadas ao aluno e ao processo de absorção da  aprendizagem a ele 
proporcionada. Tomarmos posse desses novos e fascinantes conhecimentos é 
imprescindível e de fundamental importância para uma pedagogia moderna, ativa, 
contemporânea, que se mostre atuante e voltada às exigências do aprendizado em 
nosso mundo globalizado, veloz, complexo e cada vez mais exigente.  
Conceitos como neurônios, sinapses, sistemas atencionais, (que viabilizam o 
gerenciamento da aprendizagem), mecanismos mnemônicos (fundamentais para o 
entendimento da consolidação das memórias), neurônios espelho, que possibilitam a 
espécie humana progressos na comunicação, compreensão e no aprendizado e plasticidade cerebral, ou seja, o conhecimento de que o cérebro continua a 
desenvolver-se, a aprender e a mudar não mais estarão sendo discutidos apenas 
por neurocientistas, como até então imaginávamos.  Estarão agora, na verdade, em 
sala de aula, no dia a dia do educador, pois uma nova visão de aprendizagem está a 
se delinear. O fracasso e insucesso escolar têm hoje um novo olhar, já que uma 
nova e fascinante gama de informações e conhecimentos está á disposição do 
educador moderno. 
Graças á neurociência da aprendizagem, os transtornos comportamentais e da 
aprendizagem passaram a ser mais facilmente compreendidos pelos educadores, 
que aliados á neurociência tem subsídios para a elaboração de estratégias mais 
adequadas a cada caso. Um professor qualificado e capacitado, um método de 
ensino adequado e uma família facilitadora dessa aprendizagem são fatores 
fundamentais para que todo esse conhecimento que a  neurociências nos viabiliza 
seja efetivo, interagindo com as características do cérebro de nosso aluno. Esta 
nova base de conhecimentos habilita o educador a ampliar ainda mais as suas 
atividades educacionais, abrindo uma nova estrada no campo do aprendizado e da 
transmissão do saber. 





sábado, 15 de outubro de 2011

BULLYING NA EDUCAÇÃO






Bullying é um ato caracterizado pela violência física e/ou psicológica, de forma intencional e continuada, de um individuo, ou grupo contra outro(s) individuo(s), ou grupo(s), sem motivo claro.
A palavra “Bullying” é de origem inglesa.
No Brasil, a palavra “Bullying” é utilizada principalmente em relação aos atos agressivos entre alunos e/ou grupos de alunos nas escolas. Até pouco tempo, o que hoje reconhecemos como Bullying, era visto como fatos isolados, “briguinhas de criança”, e normalmente família e escola não tomavam atitude nenhuma a respeito.
Atualmente o Bullying é reconhecido como problema crônico nas escolas, e com consequências sérias, tanto para vitimas, quanto para agressores.
As formas de agressão entre alunos são as mais diversas, como empurrões, pontapés, insultos, espalhar histórias humilhantes, mentiras para implicar a vitima a situações vexatórias, inventar apelidos que ferem a dignidade, captar e difundir imagens (inclusive pela internet), ameaças (enviar mensagens, por exemplo), e a exclusão.
Entre os meninos, os tipos de vitimação são mais de cunho físico. Ainda que não efetivada a agressão, os agressores costumam ameaçar, meter medo em suas vitimas.
Já as meninas agressoras costumam espalhar rumores mentirosos, ou ameaçarem e espalharem segredos para causar mal estar.
As ameaças podem vir acompanhadas de extorsão, chantagem para obter dinheiro, sobretudo com alunos de 6º e 7º ano.
Tanto vitimas, quanto agressores podem sofrer consequências psicológicas desta situação de abuso, porém o que normalmente acontece, é que todas as atenções dos responsáveis (pais e professores) se voltem para o agressor, visto como um marginal em potencial, e a vitima é esquecida.
O Bullying atrapalha inclusive a aprendizagem, sendo que normalmente os agressores são as crianças com maior porcentagem de reprovação.
Os casos de agressão, que acontecem por um período maior devem ser encaminhadas para atendimento psicológico.


Bullying


O número de casos de violência nas escolas aumenta a cada ano. Dentre esses casos, destaca-se o Bullying, que é o conjunto de atividades repetitivas, adotadas por um ou mais alunos contra outro(s), causando dor, angústia e sofrimento.
Apesar de toda a repercussão e de alguns casos evidenciando este tipo de violência, oBullying ainda é visto como brincadeira de criança. É importante, porém, salientar que este comportamento não deve ser considerado de tal forma. O Bullying pode causar graves transtornos mentais e de personalidade em suas vítimas.
Além de estar presente em grande parte das escolas, o Bullying também pode ser encontrado dentro do contexto familiar e no ambiente de trabalho, entretanto, muitas pessoas não sabem como reconhecer e lidar com esse problema.

O que é Bullying?


Bullying é um termo da língua inglesa (bully = “valentão”) que se refere a todas as formas de atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente e são exercidas por um ou mais indivíduos, causando dor e angústia, com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa sem ter a possibilidade ou capacidade de se defender, sendo realizadas dentro de uma relação desigual de forças ou poder.
bullying se divide em duas categorias: a) bullying direto, que é a forma mais comum entre os agressores masculinos e b) bullying indireto, sendo essa a forma mais comum entre mulheres e crianças, tendo como característica o isolamento social da vítima. Em geral, a vítima teme o(a) agressor(a) em razão das ameaças ou mesmo a concretização da violência, física ou sexual, ou a perda dos meios de subsistência.
bullying é um problema mundial, podendo ocorrer em praticamente qualquer contexto no qual as pessoas interajam, tais como escola, faculdade/universidade, família, mas pode ocorrer também no local de trabalho e entre vizinhos. Há uma tendência de as escolas não admitirem a ocorrência do bullyingentre seus alunos; ou desconhecem o problema ou se negam a enfrentá-lo. Esse tipo de agressão geralmente ocorre em áreas onde a presença ou supervisão de pessoas adultas é mínima ou inexistente. Estão inclusos no bullying os apelidos pejorativos criados para humilhar os colegas.
As pessoas que testemunham o bullying, na grande maioria, alunos, convivem com a violência e se silenciam em razão de temerem se tornar as “próximas vítimas” do agressor. No espaço escolar, quando não ocorre uma efetiva intervenção contra o bullying, o ambiente fica contaminado e os alunos, sem exceção, são afetados negativamente, experimentando sentimentos de medo e ansiedade.
As crianças ou adolescentes que sofrem bullying podem se tornar adultos com sentimentos negativos e baixa autoestima. Tendem a adquirir sérios problemas de relacionamento, podendo, inclusive, contrair comportamento agressivo. Em casos extremos, a vítima poderá tentar ou cometer suicídio.
O(s) autor(es) das agressões geralmente são pessoas que têm pouca empatia, pertencentes à famílias desestruturadas, em que o relacionamento afetivo entre seus membros tende a ser escasso ou precário. Por outro lado, o alvo dos agressores geralmente são pessoas pouco sociáveis, com baixa capacidade de reação ou de fazer cessar os atos prejudiciais contra si e possuem forte sentimento de insegurança, o que os impede de solicitar ajuda.
No Brasil, uma pesquisa realizada em 2010 com alunos de escolas públicas e particulares revelou que as humilhações típicas do bullying são comuns em alunos da 5ª e 6ª séries. As três cidades brasileiras com maior incidência dessa prática são: Brasília, Belo Horizonte e Curitiba.
Os atos de bullying ferem princípios constitucionais – respeito à dignidade da pessoa humana – e ferem o Código Civil, que determina que todo ato ilícito que cause dano a outrem gera o dever de indenizar. O responsável pelo ato de bullying pode também ser enquadrado no Código de Defesa do Consumidor, tendo em vista que as escolas prestam serviço aos consumidores e são responsáveis por atos debullying que ocorram dentro do estabelecimento de ensino/trabalho.